Um olhar sobre o PNDH-3

30/03/2010 § 4 comentários

A convite do Diego Rabatone, membro do #thackday, estivemos ontem (29/mar) na entrevista com o Ministro Paulo Vanucchi que aconteceu na Escola de Governo.

Conversa franca, rolou basicamente sobre as dificuldades e as oposições encontradas no Programa Nacional de Direitos Humanos 3 – um documento-sintese de 228 páginas que da diretrizes sobre como e o que fazer nos mais diversos assuntos relacionados a direitos humanos.

Sai de lá com uma cópia do texto na mão, convencido que boa parte das críticas ao programa são feitas com base em uma leitura parcial ou falta de leitura do texto…

Para começar a brincar transformei o PDF em TXT e joguei o resultado no Many Eyes tentando entender melhor a forma como as coisas estavam sendo colocadas.

Compartilho duas visualizações desse set de dados e convido para mais analises e discussões.

Tive que remover as palavras Secretaria, Especial, Direitos, Humanos, Presidência e República que apareciam institucionalmente a torto e a direito pelo texto e ainda assim sobrou uma nuvem onde os grandes destaques não são conceitos e idéias mas formas burocráticas de proposição:

Recomenda-se / Desenvolvimento / Objetivo / Apoiar

Na tentativa de afinar melhor essas idéias fiz uma série de arvores de palavras usando essas palavras burocráticas e os resultados começaram a ficar mais interessantes, aqui vou colar apenas a ‘Objetivo de‘ para não degradar demais a performance do site – mas convido a explorarem o documento e o dataset e comentarem ou lá ou cá.

#provoca – provocações para os prefeitos e gestores presentes à CICI2010 – Ricardo Mendes Junior

13/03/2010 § 1 comentário

ideias para discussão, ou como os organizadores deste folheto chamaram, provacação para os prefeitos e gestores presentes à CICI2010. Várias frases que aqui coloquei já foram ditas ou escritas por outros no evento, e estão aqui por que concordo com elas. não deu tempo de referenciar todas então coloquei um * depois delas.

Produção e sustentabilidade

Muito se tem falado sobre produzir de forma sustentável. Esta discussão focado em alguns temas importantes, na visão atual, mas talvez menos importantes para uma solução futura definitiva. Produção e sustentabilidade não é só pensar a agricultura, energia, água, impacto ambiental, produção limpa (ou produção mais limpa) reciclagem, ou responsabilidade social. Não é uma (ou apenas uma?) questão de inovações tecnológicas dos processos com foco em sistemas produtivos de melhor custo/benefício em termos industriais, sociais e financeiros. Muito menos permitir ganhos de qualidade e produtividade. Assim como o conceito de sustentabilidade ainda é pouco compreendido e apenas iniciando um consenso, o processo produtivo para um novo mundo ainda é um desconhecido. Há que se mudar o modelo produtivo/capitalista para realmente conciliar as necessidades sociais (primeiras e muito mais relevantes para a humanidade), ambientais (sem a qual não atenderemos as primeiras) e econômicas. A Engenharia de Produção deve buscar a essência do pensamento sistêmico, estudado e falado há mais de vinte anos. Até onde a sustentabilidade dos processos garante a sustentabilidade da sociedade ou do planeta?
Este texto está na rede no Ning.com

Modo de vida

O nosso modo de vida é incompatível com sustentabilidade*. Neste modo não tem como termos empresas sustentáveis (ver produção e sust. acima), e cidades sustentáveis. Precisamos mudar o conceito de sociedade e cidadão*. Não necessariamente sem o capitalismo, ou com o socialismo, mas uma economia que pense primeiro nas pessoas (economia mais solidária).

Bilhete único da Riocard

Levar mais gente mais longe e mais barato é contra a sustentabilidade. Não é inovação, é investimento + gestão + tecnologia disponível + decisão política + mercado. Mercado = demanda + oferta, que as empresas (capitalistas) sabem fazer bem. É o papel da IBM aqui.

Home-office

1/3 da mobilidade é casa-trabalho-casa (Jordi Borja). Eu acho que é mais. Ele afirma que o home-office é a solução para a mobilidade. Penso que o home-office hoje é periférico – algumas empresas, alguns tipos de trabalho, algumas pessoas. O futuro é o uso extensivo e generalizado das TIC para o trabalho remoto. O potencial da internet nem começou a ser aproveitado para isto, menos nos mercados em que há benefícios nos lucros (financeiro, p. ex.), e estes servem de exemplos. O uso da TIC tem que ser expandido para grupos de trabalhadores, sedes de empresas, condomínio de trabalhadores (tipo escritórios virtuais), etc. para termos escala e, aí sim, ganhos para a mobilidade. Eu poderei trabalhar em casa ou ir de bicicleta para o trabalho, que ficará a menos de 5 km de casa, e ir à sede da empresa apenas uma vez por semana.

Erros nas mega-cidades

Jonas Rabinovitch colocou que as cidades medias nao deveriam repetir os erros das mega-cidades. Hoje, e vimos neste evento, se fala muito mais das soluções que as grandes cidades estão trabalhando para corrigir os seus erros. Nas cidades medias as soluções devem outras – inovadoras, e vimos pouco disso por aqui.
Discordo apenas quando ele disse que o crescimento maior nas cidades médias é pelos nascimentos. Sabemos que as taxas de crescimento da população mundial estão diminuindo, inclusive alguns afirmam que a pop mundial vai parar de crescer daqui a algumas décadas. Então como é, nas cidades médias ainda há mais nascimentos do que nas grandes (proporcionamente)? Não creio.
Penso que o futuro é levar as inovações para as cidades pequenas e fazê-las crescer, suportado pelas TIC e pelos serviços básicos: saúde, educação, cultura, meio-ambiente, lazer, turismo, etc. Estes devem ser os objetivos maiores da sociedade do futuro. E não o consumo em excesso ou lucro a qq custo.

Importancia na capacitacao, transparencia, participacao, gestão da informacao

Também Jonas R., concluiu sua palestra com esta colocação. É por aqui que todos os governos devem começar. Vimos muitas iniciativas aqui. Mas isso é um passo primeiro e necessário, não é inovação. Pode ser inovação gerencial e pública, apenas, por que precisamos mudar os modelos de gestão e visão públicas, usando a tecnologia. Principalmente para a gestão da informação.

Curitiba

O modelo de vias estruturais já está esgotado. Avenidas como a Mal. Floriano são sub-utilizadas, podem ter mais trafego se reprojetadas; as vias rápidas estão congestiondadas; as regiões proximas aos terminais (que poderia priorizar as pessoas e o comércio) estão se ficando acumuladas de carros o dia todo. O fluxo de carros poderia ser canalizado nesta avenida (mantendo a canaleta, retirando estacionamentos e a longo prazo o comércio) e as ruas laterais priorizarem as pessoas, as bicicletas, o comércio, o lazer e o esporte. Principalmente a nova via no sentido centro-bairro, esta virou pista de corrida (principalmente nos horarios de pouco fluxo), sendo que ainda há muitas casas e predios de moradia ali – ela começa numa regiao muito bonita e arborizada (no HSBC). Ali poderia ter sido feito o que se fez com a Linha Verde (que nunca foi usada por pessoas, somente carros, e vai demorar 1 década ou mais para mudar este perfil), com benefício mais imediatos e sem tirar as pessoas da região onde moram. Isso seria inovação.
Se Curitiba inova diminuindo calçada para mais tráfego de carro e esquece ciclovia, não inova*.
cidades comuns (como Curitiba): revitalizam parques, praças e ruas porque não tem dinheiro para manutenção sistemática. E as revitalizações ganham ares de ultra-projetos. Enquanto isso o Parque do Iguaçu cada vez mais abandonado, mas o Barigui não.

Por que dirigir a mais de 50Km/h nas vias urbanas?

prá refletir, tem alguma lógica? http://ricardomendesjr.posterous.com/porque-dirigir-a-mais-de-50kmh-na-cidade
Um uso da identificação eletrônica nos carros (futura), mais a tecnologia de telemetria que já temos, e mais o comando eletrônico dos motores, podemos limitar a velocidade dos carros nas vias urbanas por software.

IPVA, IPTU e imposto municipal para os carros

Pagar 2,5% de IPVA para o estado e 0,25% de IPTU para o município, sendo que temos 1,5 pessoas por carro na cidade, é um absurdo. Temos que criar um imposto municipal para os carros para pagar os que estes nos custam na infraestrutura da cidade. E transferir o IPVA para os municípios (mantendo informações em datacenter integrado).
Desconto no imposto para quem compartilharem o carro, dando carona para outro motorista ou compartilhando o mesmo carro ao longo do dia (pode marido e esposa).

Direito de morar

Jean Daclin acha que não podemos impor (ou dizer) onde as pessoas devem morar ou trabalhar. Concordo em termos. Este direito já não pode ser tão livre como foi até hoje. Como aceitar novos moradores numa cidade que sabemos que não os comporta mais? A cidade deve criar um Alvará de Moradia para as pessoas que pra lá vão se mudar, provisório ou permanente. E se esta pessoa não nasceu na cidade (família sempre pagou imposto em outra cidade), deve haver um imposto específico.

Direito de onde trabalhar

O uso da infomação de moradia das pessoas e postos de trabalho pode indicar onde as pessoas podem trabalhar sem precisar se deslocar distâncias grandes (Geografia espacial). É possível, mas estamos longe disso. Muitos conceitos precisam ser mudados.

Ricardo Mendes Junior
Professor de Engenharia de Produção da UFPR
ricardomendesjr (em) gmail.com

#provoca – Jardim de Volts encontra Jardinagem Libertária – glerm

13/03/2010 § 1 comentário

Desenrolando algumas tentativas de sugerir rituais, carnavais ou qualquer tipo de liturgia-comunhão que pudessem dar conta de simbolizar e sensibilizar para questões sobre relações entre tecnologia, sociedade e corpo que há alguns anos temos discutido em nossas redes,
tentei conceituar já há quase dois anos uma brincadeira-manifesto que foi batizada de Jardim de Volts.

Jardim de Volts busca encontrar uma forma de entendermos a tecnologia (e a “ciência” que a tornou possível) como algo que não é uma magia da indústria e sim fruto da inteligência humana em observar a natureza. Então porque tudo se descontrolou tanto? Aquilo que poderia ajudar a humanidade a construir um mundo melhor ainda serve quase exclusivamente para gerar um consumo sem sentido, sem a menor responsabilidade social e sem medida da destruição do nosso instinto de integração com todo ecossistema.

Escrevi um rascunho de idéia que ao meu ver ainda continua muito crua:
( http://estudiolivre.org/tiki-index.php?page=JardinDeLosVolts )

Durante o encontro Submidiologia 2 a bricadeira foi tomando mais forma:
( http://pub.descentro.org/submidialogia_o_estudo_da_subversao_dos_meios )

Apesar de até hoje não ter elaborado melhor uma reflexão sobre a proposta tenho comentado aqui e ali e isso acabou rendendo alguns encontros.

Recentemente recebi um convite do pessoal que em Curitiba tem organizado uma ação direta muito esperta e divertida, que foi batizada de “Jardinagem Libertária”. Nesta o grupo celebra a busca por consciência ecológica promovendo encontros, bicicletadas, caminhadas e outras buscas onde revitalizam o espaço urbano plantando árvores pela cidade. O grupo chegou a criar uma praça num abandonado terreno baldio, que foi batizada de “Praça PIrata”…
( http://jardinagemlibertaria.wordpress.com/ )

Por duas vezes seguidas este ano, em Fevereiro e Março de 2008, tentei de alguma maneira conectar a proposta com a idéia do Jardim de Volts, e curiosamente fui surpreendido por contratempos que me fizeram refletir sobre o próprio processo que eu estava querendo trazer como discussão.

Da primeira vez uma chuva impedia que minha proposta de tirar energia de limões, usando computador pra transformar poéticas sonoras recombinadas de arquivos mandados para mim se realizasse. Da segunda, um HD com problemas atrasava toda a preparação do sistema para o tal.

Enquanto preparava o HD pra tentar realizar aquilo que eu imaginava como uma colaboração, eu fui aos poucos refletindo sobre o ritmo que eu mesmo me encontro agora, depois de tantos anos vivendo em função da internet e sua promessa de informação e comunicação total.

Pensei também na minha paranóia de “eficiência”, também parte de um sintoma de todo esse prometido “progresso”, que eu queria criticar com uma retórica tão metida a eloqüente.

Curiosamente no sábado de manhã eu fui aos poucos conseguindo deixar o sistema pronto, mesmo tendo freado um pouco meu ritmo, influenciado pela reflexão.

Chegando no lugar, me deparei com dezenas de pessoas, fazendo intervenções num muro de tapume de um outro terreno baldio (uma nova Praça Pirata?), e fui visitar a já citada e arborizada primeira Praça Pirata.

O fato é vendo a naturalidade com que a piazada tava lidando com aquilo, me caiu a ficha que toda aquele meu processo metódico de determinismo pra fazer um tipo de “demonstração” de expressões da eletrônica fora do processo industrial ainda estavam muito viciados na ilusão de “ter tudo sob controle” como prega nosso cego processo civilizatório.

Ao invés de imediatamente influenciar todo aquele esforço manual que estava acontecendo ali pra prestar atenção em algo completamente desviante que eu estava preparado pra fazer, eu decidi tentar ajudar nas intervenções, entender, compartilhar os processos e tentar pensar um pouco daquilo que o Jardim de Volts estava propondo a partir daquela experiência.

Naquele exato momento percebi o quanto as pessoas estavam aparelhadas com suas tintas, pás, estiletes, canetas, máquinas fotográficas, instrumentos musicais, impressos e outros utensílios que além de ferramentas super úteis para a ocasião, também contribuiram para o giro de toda uma economia industrial.

Todo aquele belo romantismo de desenhos nos tapumes do terreno baldio e plantar árvores no quarteirão em volta estava ali inevitavelmente sujeito a um processo industrializado que vai culminar num eminente uso do terreno pelo seu proprietário. Talvez toda a revitalização do quarteirão até ajude na especulação imobiliária do terreno.

Obviamente que toda essa reflexão pelo viés pessimista cai numa perspectiva totalmente radical de encarar o processo civilizatório do qual somos indissociáveis avatares, como em teorias do Anarco-Primitivismo ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Anarco-primitivismo ) .

Não é díficil presumir porque reflexões tão profundamente realistas sobre a incapacidade do homem usar sua incrível inteligência para uma comunhão mais saúdavel com o planeta podem cair em surtos de violência irracional como a desesperada ação do Unabomber ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Theodore_Kaczynski )…

No entanto, como pensar uma maneira não-violenta em que de dentro pra fora possamos redesenhar nossa função em construir uma “ciência” mais alinhada com as necessidades do mundo, e não apenas com o egoísmo consumista e imediatista que nos surge pelos tradicionais simulacros com a idéia de progresso e prosperidade?

Obviamente a resposta não é nada simples, mas acredito que ali na Jardinagem Libertária, entre algo de uma energia bastante pueril e ingênua de jovens querendo afirmar seus traços, haviam também esforços extremamente responsáveis, bravos e inteligentes de fazer sua parte para criar um mundo melhor e menos alienado do que está a sua volta.

Quanto aos Volts, aos poucos eles vão encontrando maneira de entoar mantras nos Jardins, buscando entender como esse conhecimento sobre a energia pura e canalizada pode ser menos destrutiva e mais esperta.

Por enquanto, fico bastante feliz em poder ver crescer o pé de limoeiro que plantamos ali ao lado da calçada naquele dia. Espero que ele possa um dia dar frutos. Que estes possam ajudar para que por trás dos tapumes ao invés de ignorantes templos de consumo apareçam mais Jardins Libertários.

Esse texto foi originalmente públicado no Mutirão da Gambiarra.

#provoca – webcidadania – Ricardo Poppi, Henrique Parra e Rodrigo Bandeira

13/03/2010 § 1 comentário

Explicação Gramatical: (nós quem?)
Para entender essa nova língua falada pelos #webcidadãos é imprescindível uma explicação, ao menos. A primeira pessoa do plural aqui apresentada não é o do governo e os governantes, partidos que são e, portanto, inevitavelmente atrelados ao singular – mesmo que em um grupo grande. Não se trata tampouco de uma classe de “privilegiados” que pretendem ser novas espécies de representantes. O nós aqui assume sua plenitude, buscando um grau de pertencimento que reconquiste nosso país. #étudonosso

TEXTO 1:

Teoria elitista da democracia

A teoria
Pela teoria elitista da democracia o ápice democrático está na competição eleitoral. Segundo esse pensamento, as pessoas não demonstram grande interesse ou rendimento intelectual quando o assunto é o interesse público: Mesmo um grande profissional, seja da medicina ou da advocacia, quando passa a discutir problemas relacionados à sociedade, se transforma numa pessoa medíocre. Para eles, essa é a razão de existirem os políticos profissionais, pois assim poderão, através da propaganda eleitoral, resgatar e objetivar esses sentimentos latentes e mal definidos da cabeça da população, forçando-os a um posicionamento entre os candidatos e partidos em disputa. Para Joseph Schumpeter, um dos autores dessa corrente, as ideologias e programas dos partidos não são importantes. Sua essência está em se colocarem como símbolos e marcas na disputa, legitimando o processo de ocupação dos cargos políticos num sistema democrático desse tipo.
Por que parce verdade
Esse tipo de teoria encontra eco em nossa sociedade por diversos motivos. Primeiro os baixos índices de participação da população na política institucional, que pouco ocupam os parcos canais disponíveis para esse exercício, como as audiências públicas, iniciativa popular de leis, entre outros. – Mesmo aqui essa ideia de “povo incapaz” aparece, motivo pelo qual existem tão poucas tribunas livres, com os regimentos vedando manifestações das pessoas presentes e mesmo as comissões de participação – grandes conquistas – só recebem iniciativas de grupos formalmente organizados. Todos os incentivos são para a partidarização, ou seja, para a organização de grupos de atuação cada vez mais formal como pré-requisito para participação efetiva. Isso é um desincentivo para o cidadão desorganizado.
Em segundo lugar, temos o fênomeno das torcidas de futebol, ou fla-flu, encontrando padrões de participação apenas entre os militantes dos diversos partidos que muitas vezes se preocupam mais em defender sua bandeira contra a artilharia inimiga, do que pensar projetos de sociedade que involvam, na sua construção, as diversas visões presentes no mundo social. Os partidos políticos não contribuem para a qualificação da política, aliás só atrapalham. A política enquanto fenômeno de massa torna as campanhas cada vez mais caras, o que exige o despejo do caixa 2 das empresas nas arcas dos partidos, em troca de diversos favorecimentos posteriores. Além disso, o nosso sistema eleitoral proporcional (para o poder legislativo) faz com que comunidades que queiram eleger seus representantes tenham dificuldades em fazê-lo, já que seus votos vão para o cômputo geral das cadeiras do partido, elegendo apenas aqueles candidatos mais famosos. Como é possível incentivar a participação política do cidadão comum num sistema tão excludente?
Onde está a verdade
Esse anacronismo dos partidos está sendo reforçado pelos novos fenômenos da hiperconexão. As pessoas estão tendo possibilidades mais amplas de relacionamento e articulação, em grande parte devido às novas tecnologias das redes digitais. Esses fenômenos estão permitindo uma melhor articulação tanto da política apartidária local quanto dos movimentos que reunem as pessoas em torno de temas de forma desterritorializada. Esses movimentos não querem se meter na briguinha dos partidos e também não tem interesse em ocupar esses espaços de poder na política institucional. Mas ao mesmo tempo reúnem preciosas contribuições que levam pessoas a dedicar boa parte do seu tempo livre na participação política de todo tipo, seja o acompanhamento de sessões legislativas, seja a revitalização de um córrego ou praça no seu bairro. Porque não despartidarizar a política e abrir espaço – poder e responsabilidades – para esses movimentos autônomos que surgem ou atuam na rede? Isso vai acontecer, mesmo porque partidos e governos já estão com sua legitimidade bastante abalada para continuarem firmando o pé. Vão ter que largar o osso, e não adianta enterrá-lo, porque a gente acha!

TEXTO 2:

Nossos Guias, o Brasil precisa de vocês.

Compartilhar
Compartilhar problemas é entendê-los de múltiplos pontos de vistas, entendendo e enxergando de um jeito inalcansável para o simples olho individual. O coletivo enxerga à distância, espaço e temporalmente. Compartilhar os problemas das cidades é o único processo que os torna genuinamente públicos e, por isso, é ao mesmo tempo o compartilhamento das soluções.
A expressão dos pontos de vistas particulares e o espaço para que essas opiniões sejam ouvidas e levadas em conta cria a arquitetura social de participação. O coletivo resolve de forma mais eficiente e cria bases para governança local e regional.
Compartilhar soluções é atuar colaborativamente. É sobretudo admitir que outras comunidades atuarão paralelamente – Não há apenas um jeito, uma resposta possíveis. Esse compartilhamento de problemas e da construção de suas soluções é a reciclagem do espaço público, é sua democratização.
Novovelho
O que realmente queremos dizer quando pensamos em “novas soluções” ou “novas ferramentas”? Não basta que nossas velhas administrações mudem de roupa – que façam “e-156″, que criem sites bonitos ou que invistam em ações diferentes, como divulgar um número de celular do prefeito ou dos secretários. Tudo isso, meus caros, não é inovação. É apenas um jeito melhor de fazer o maisdomesmo.
Nesses espaços, o poder público é um espaço outro, de outros, no qual depositamos nossos problemas e deixamos para alguém – quem, afinal?! – o papel de resolvê-los. Quando o prefeito não quiser ou não puder atender ele não o fará. Quando os administradores não prestarem atenção a determinado problema do 156 ele não será resolvido e ponto final, Um ponto – zero.
Novas ágoras
Essa política de mecanismos formais, que podemos chamar de Política 1.0, segue a mesma linha do que foi a web em seu início: Conteúdos estáticos, administradores centralizados, pouco aproveitamento da inteligência coletiva. Antes de falar da nova política vamos alertar os senhores administradores e políticos presentes na #2010cici que não adianta apenas digitalizar o velho. Vai continuar não funcionando.
E mais: Não adianta “repaginar” as instituições governamentais ou os partidos porque eles, simplesmente, são chatos. Ninguém quer acompanhar uma sessão legislativa ou uma audiência com suas características formalidades antiquadas e procedimentos anacrônicos.
O poder público é chato porque qualquer recorte ou formato do tipo “edital” é sempre, para alguém, inadequado. A diversidade e o pluralismo da sociedade é inatingível para o Estado e a #webcidadania é a expressão desta riqueza. São temas e territórios que se articulam, redes sociais que expressam cada perfil e cada experiência social das pessoas. O mapeamento desta inteligência, ao mesmo tempo em que as ferramentas tornam-se cada vez mais maleáveis, divertidas e leves, unirá inclusão com opinião. É de um novo jeito de opinar que estamos falando. A opinião na web 2.0 será cada vez mais a expressão da experiência social das pessoas – de seus gostos, de seu conhecimento e de sua mobilização. E nesses espaços o poder público vai ter que entrar de mansinho. Ele ainda é aquele amigo chato que ninguém quer convidar. Afinal, como foi dito, ele não consegue sentir nem expressar nossa diversidade de opiniões e, por isso, não pode opinar muito, se não se torna chato outra vez.
Qualquer cidade que quiser sair de Curitiba como inovadora deve levar consigo uma nova forma de conjugar ideias. O nós enxerga melhor e mais longe, o nós é mais legal, inclusivo, e o nós se mobiliza e resolve melhor problemas maiores. #webcidadania #étudonosso!

TEXTO 3:

Como ser coadjuvante na política

Alguns de nós, interessados em mudar o fato de que (est)a democracia representativa tirou dos cidadãos o papel de protagonistas na construção de suas sociedades, nos unimos em torno da #webcidadania.
Este grupo, hoje composto por projetos como o Cidade Democrática, Transparência HackDay, Movimento Voto Consciente, SAC-SP, Vote na Web, Adote um Vereador e outros, está interessado em descobrir formas de propiciar a todos os cidadãos brasileiros uma experiência completa de cidadania por meio da web. Já mapeamos ações estratégicas no campo da mobilização, comunicação, participação, trabalho voluntário, formulação, implementação/ mão-na-massa e conscientização e estamos conversando com estudantes, jovens, agentes críticos de mudança, líderes comunitários e outros grupos com viés de transformação.
Nossa grande vantagem é que trabalhamos de forma colaborativa para fazer o que as pessoas querem que seja feito. Usamos a web 2.0 para “ler” a sociedade, construir relevância e incidir nos pontos específicos em que a vontade das pessoas se alinha em uma mesma direção.
Não temos controle sobre este processo, mas seguimos o seu fluxo porque acreditamos que a inteligência coletiva é mais capaz de construir soluções sustentáveis do que os modelos centralizados que dominaram a política até hoje.
Fico pensando em como aproveitar a grande quantidade de conhecimento acumulado por quem faz política a tempos e envolver os que hoje ainda trabalham em modelos centralizados, estruturas piramidais e hierarquizadas e baseados em preceitos de dominação pelo poder de qualquer forma.
Quando o computador surgiu e começou a ser aplicado na diagramação de jornais, os antigos linotipistas, mestres na arte de diagramar páginas com tipos móveis, moldados em chumbo tornaram-se, de uma hora para outra, obsoletos. Esta classe contava com uma grande simpatia por parte da sociedade. Eram artistas, artesãos, trabalhadores da comunicação e da informação que possibilitavam que todos pudéssemos ter acesso às notícias mais quentes e fresquinhas na hora do café da manhã. O computador mudou tudo isso e a decisão do jornal The New York Times foi aposentar seus linotipistas e continuar pagando seus salários até o fim de suas vidas. Até hoje alguns deles devem viver no meio oeste americano, cortando a grama dos seus jardins e comendo pizza entregue em casa.
A pergunta é: se um dia a web 2.0 tornasse nossos políticos e gestores públicos obsoletos, como o computador fez com os linotipistas, de que forma nossa sociedade estaria disposta a lidar com o legado deixado por quem hoje decide como o nosso dinheiro será investido?
Para evitar o pior, um julgamento dos políticos obsoletos (salvos os bons, claro, que os há, sem dúvida) por uma sociedade forte, consciente e furiosa, sugerimos a reflexão do título: como os nossos políticos podem ir se preparando para desempenhar, com brilho e qualidade, o papel de coadjuvantes na construção de políticas públicas?
Afinal, o que mais restaria a eles além de serem ótimos responsáveis por conduzirem nossa sociedade no sentido que nós queremos?
Se estes artigos parecem irônicos foi mesmo a nossa intenção. Mas, no fundo mesmo, nosso sonho é conduzir este processo de forma colaborativa e aproveitando o melhor do que cada um tem a oferecer. Bom trabalho a todos e boa colaboração!

Ricardo Poppi, Henrique Parra e Rodrigo Bandeira, respectivamente esboçaram os textos e colaborativamente meteram suas colheres nas palavras do outro.

#provoca – Recursos educacionais abertos – Bianca Santana

13/03/2010 § Nenhum comentário

Conhecimento da sala de aula acessível a todas as pessoas

A literatura da Educação, independentemente da tradição ou linha teórica, afirma a importância de livros didáticos e outros materiais de apoio no processo de ensino-aprendizagem. A metodologia do trabalho do professor em sala de aula está centrada na utilização de tecnologias que sistematizam os conteúdos a serem trabalhados com os alunos.
Além de reunirem conteúdos, os materiais utilizados nos processos de ensino-aprendizagem reproduzem valores sociais e têm importante papel nos processos de sociabilização, principalmente de crianças. Esse papel exige, além de rigor conceitual, extrema competência pedagógica e vigilância ética de quem os produz. Isso não significa que ferramentas, impressas ou digitais, tenham sentido em si. Katia Mantovani, em sua dissertação de mestrado defendida em 2009 na Universidade de São Paulo, ressalta que a relevância de qualquer material didático só existe pelos usos que se fazem dele.
Michel de Certeau escreveu em 1994 o livro A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer em que afirma que por usos pode-se compreender “operações de emprego ou reemprego” dos materiais. Independentemente da proposta de quem encomendou o material didático, de quem o produziu, de quem o editou, de quem o publicou, de quem o distribuiu, as diversas possibilidades de usos são produtos do chamado consumir.
Seria então o consumidor de textos, imagens e vídeos didáticos mero receptor e propagador de informações? Se isso vale para imposições, como os textos jornalísticos ou ritos de colonizadores exemplificados por Certeau, o que afirmar sobre objetos educacionais, que ganham sentido quando trabalhados por professores e aprendizes dentro e fora das salas de aula?
Quando imprimir textos e imagens em papel ou gravar vídeos em fitas ou DVDs eram as únicas possibilidades de distribuir material didático, dificilmente era possível considerar os usos feitos do material. Claro que um professor poderia enviar uma carta para a editora argumentando que determinado material não era adequado ao uso que ele fez em sala de aula. Por mais que a cultura da colaboração não fosse tão destacada, determinado professor poderia investir em colaborar. Mas as chances do produto gerado por este professor alterar o material que seria distribuído eram muito pequenas. Reimprimir ou regravar seria muito custoso, mapear a distribuição para enviar uma possível errata além de caro, poderia ser inviável por falta de informações de quem acessou o material.
No entanto, na cultura digital, quando as diversas produções humanas podem ser transformadas em 0 e 1 e distribuídas em rede a custo direto praticamente nulo, produtos próprios dos chamados consumidores podem ter lugar. Adequações para necessidades locais, incrementações, correções ou mesmo sugestões de educadores produzidos pelos usos de determinado material didático podem ser distribuídos juntos com este material, gerando novos produtos que qualificam ainda mais novas possibilidades de usos.
A mera publicação de conteúdo educacional na rede mundial de computadores não abre espaço para novos produtos. Quando o material é licenciado de maneira fechada, sob a frase “todos os direitos reservados”, não pode ser utilizado para qualquer finalidade, nem gerar novos usos ou ser remixado em novos produtos, e ser distribuído para ter seu acesso ampliado. A criatividade e a capacidade de adaptação a necessidades locais, ou a simples correção de problemas, fica vedada. Dependendo do formato em que for publicado, tais possibilidades, além de ilegais, podem ser tecnicamente impossíveis.
Com a expansão do acesso à internet, diversos movimentos pela liberdade de distribuir e modificar trabalhos e obras criativas têm ganhado força e justificam-se pelo direito a educação e a cultura. São cada vez mais conhecidos os movimentos do software livre, do Creative Commons, da transparência de dados públicos, dos recursos educacionais abertos (REA).
O termo “Recursos Educacionais Abertos” (Open Educational Resources, em inglês, OER) foi adotado, pela primeira vez, durante um fórum da Unesco, em 2002. Trata-se do esforço de uma comunidade de educadores, decisores políticos e usuários articulada para criar, reutilizar e propagar bens educacionais pertencentes à humanidade.
Quando materiais didáticos e educacionais são considerados bens públicos e comuns, todos podem se beneficiar: professores, estudantes e autores interessados na utilização de sua produção. Carolina Rossini, no artigo de 2010 Green-Paper: The state and challenges of OER in Brazil: from readers to writers? ressalta que quando esses materiais são pagos com dinheiro público faz ainda mais sentido que sejam bens públicos. E por incentivarem a produção aberta, o compartilhamento e o acesso a conteúdos, REA otimizam a utilização de recursos públicos.
Além de tais benefícios, os recursos educacionais abertos, afirma Rossini, criam a oportunidade para uma transformação ainda mais fundamental na educação: a de ter educadores, estudantes e mesmo aqueles não formalmente vinculados a uma instituição de ensino envolvidos no processo criativo de desenvolver e adaptar recursos educacionais construindo a possibilidade de formação continuada estendida a toda a sociedade.

#provoca – PROJETO TEIA – Rogério Moreira

13/03/2010 § Nenhum comentário

Sociedade em Rede: PROJETO TEIA – Uma Nova Oportunidade

Existe um considerável conjunto de descrições e análises das estruturas sociais emergentes na passagem do século vinte para o vinte e um que destacam o fato de as sociedades contemporâneas estarem sendo palco de extraordinárias transformações econômicas, políticas, culturais, sociais e tecnológicas. Nas últimas décadas do século vinte foram vários os autores que, sob diferentes perspectivas, estudaram esta transformação radical do modo de produção do social e identificaram nela uma ruptura com os padrões da sociedade industrial.

Hoje a Internet oferece incontáveis serviços de infraestrutura tecnológica gratuitamente ou com custos muito baixos se comparados aos serviços ofertados pelas empresas tradicionais de tecnologia. Serviços que vão da simples construção de um blog a ferramentas de gerenciamento de projetos, construção de páginas na web ou edição básica de fotografias.
Essa abundância de ferramentas e ambientes on-line permite a qualquer um usufruir de serviços de tecnologia de ponta sem a necessidade de pesados investimentos em hardware e software, bem como de conhecimentos avançados de programação e manutenção de computadores.

A partir do uso desta infraestrutura disponível na nuvem computacional, o Projeto Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados – TEIA, uma iniciativa inovadora e inédita do Governo do Estado de Minas Gerais, tem por objetivo criar, capacitar e suportar continuamente um coletivo de operadores (chamados de Agentes TEIA) da infraestrutura WEB 2.0. Este grupo de pessoas, além da prestação de serviços às empresas, exporta conhecimento para outros estados brasileiros e também para o exterior.

Estes jovens prestam serviços a pequenas e médias empresas, autarquias, órgãos públicos, instituições de ensino, sindicatos, associações, auxiliando-os a tirar proveito da infraestrutura tecnológica disponível na nuvem computacional para atingir seus objetivos e potencializar na web ações feitas de forma tradicional.

Com as seguintes palavras o Governador Aécio Neves lançou oficialmente o projeto em 2008:
“Estamos iniciando o projeto TEIA: Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados, um projeto ousado e pioneiro que deve preparar Minas para a lógica do ‘Governo em Rede’, em uma clara tendência de por onde deverá caminhar a gestão pública. E me permitam mais uma vez a ousadia, queremos também estar na vanguarda dessa nova compreensão. Projeto TEIA se propõe a levar a todos rincões desse enorme Estado, que tem uma área que se equivale a da França e um PIB se equivale ao do Chile, com conhecimento sobre como utilizar ferramentas web 2.0 ou internet 2.0. O que cria oportunidades quase infinitas de novos contatos, de novas parcerias, de novas alianças, acesso a novas tecnologias e intercâmbio de informação.”
O TEIA é a nova Inconfidência Mineira, no sentido que deu oportunidade para milhares de pessoas construírem seu caminho rumo à transformação e a uma forma diferente de fazer as coisas.

O marco inicial foi a criação da rede social www.teia.mg.gov.br, que serve de plataforma para todas as ações do projeto, com as informações básicas, os pilares fundamentais, as tecnologias disponíveis, a possibilidade do cidadão integrar e interagir com o projeto e com todas outras pessoas (ou entidades) que, de alguma forma, tem relação com a rede.
Dentro desta rede, pode-se atuar sob várias formas. No momento do cadastro, é dado ao usuário o poder de escolher, dentro do seu perfil e área de interesse, a melhor maneira de atuar neste jogo, seja como agente, cliente e visitante.
Importante destacar que, a partir do ambiente virtual (rede TEIA), privilegiando o conceito da construção coletiva, além de demandas específicas, são travadas inúmeras discussões, sendo que os membros da rede se organizam em grupos de discussão, de modo que seus assuntos de interesse são inseridos para análise e engrandecimento pessoal/profissional.

Desta forma é possível imaginar que uma sociedade, instrumentalizada por esta infraestrutura tecnológica gratuita, conduzindo seus projetos pessoais e profissionais de forma colaborativa e atuando de forma distribuída em rede, sofrerá um impacto positivo em seu desenvolvimento econômico e social, fruto da inovação na sociedade pela utilização deste ambiente de serviços em seus processos de aprendizado, comunicação, articulação e negócios.
O processo auto-sustentado, também oferece a oportunidade a seus participantes de estabelecerem-se em suas comunidades gerando renda pelos serviços prestados.
Em síntese, o pensamento maior do projeto está na possibilidade de cada usuário (cidadão ou empresa) ao entrar na rede, obter alguma vantagem (seja de conhecimento, relacionamento e/ou financeira) e com isto deixar a oportunidade para outro usuário poder auferir a sua vantagem. É na relação “ganha-ganha” que o projeto tem o esteio. Não há competitividade, não há reserva de mercado e/ou de conhecimento. Ao reverso, tudo isto é compartilhado e as informações são geradas, processadas, analisadas e encaminhadas pelos próprios membros da rede, a seu tempo e hora, da forma que melhor lhe aprouver.

Mesmo em pouco tempo de ação, o TEIA colhe frutos rapidamente, despertando a atenção de gigantes mundiais, como a empresa Google e, ao mesmo tempo, ajudando a mudar (e melhorar) a vida de milhares de pessoas, como a da jovem Solange Moreira, como se pode verificar nos depoimentos abaixo:
SOLANGE MOREIRA- AGENTE TEIA

“Eu conheci o TEIA através do Congresso de Municípios no dia 30 de outubro. A partir daí eu comecei a receber e-mails de atividades sobre como funcionava o projeto TEIA. Eu fui abrindo, conhecendo, procurando me informar e fui me identificando com o projeto.

A minha primeira demanda foi com a minha mãe. Foi através do Batismo Digital. Tinham duas modalidades: A Web 1.0 para aquela pessoa que não tinha acesso a internet e Web 2.0 para quem já tinha acesso. Peguei minha mãe, por ela ser consultora da Natura. A Natura estava incentivando as consultoras a fazer pedido pela internet. Ela dá brindes para as consultoras que faziam pela internet. Criei um e-mail para ela, porque precisava criar um e-mail. Sentei com ela em frente a um computador, pedi para ela digitar o e-mail, para ela digitar o código dela e começar a navegar pelo site da Natura. Aí ela começou a achar bacana! Ela tem 66 anos, então isso para ela foi uma maravilha. E até hoje ela não parou mais, é só internet.

A partir de agora eu já estou vendo assim: Eu vou avançando, vou fazendo o diferencial na minha profissão. Costumo dizer isso e muitas falam aí em grande palestras, que apenas 5% fazem a diferença. E hoje eu entendo, aprendendo essas ferramentas, eu vou fazer parte dos 5% que fazem a diferença.”

ALEXANDRE HOHAGEN – DIRETOR GERAL DO GOOGLE PARA A AMÉRICA LATINA – EM REUNIÃO NO PALÁCIO DA LIBERDADE

“Senhores Secretários, meus caros Blogueiros, Companheiros do Google, boa tarde. Eu diria que, eu não vou ficar aqui por mais de dois minutos porque o trabalho que foi feito aqui é um trabalho de vocês. Somos meros coadjuvantes em poder compartilhar nossas ferramentas e poder ajudá-los a botar de pé um projeto que, eu sem dúvida nenhuma, sem medo de errar, diria, é projeto mais emocionante, envolvente, completo que já tenha visto desde que nós começamos a operação do Google no Brasil. E hoje como Diretor Geral para a América Latina, tenho visto várias iniciativas como esta e jamais, Governador (Aécio Neves), jamais vi um projeto que pudesse envolver de maneira tão inteligente todos os jogadores desse jogo que se chama internet 2.0.
Eu gostaria muito de dar os parabéns pela iniciativa, pelo envolvimento. E eu fico muito muito contente, eu fico muito orgulhoso de poder estar na cidade em que estou, na empresa em que estou, no país que estou e poder ver que um governo como este conseguiu colocar aquilo que eu chamo de círculo virtuoso do empreendedorismo e da sustentabilidade baseada na tecnologia. Eu realmente, Governador, gostaria de falar do coração, que eu jamais vi um projeto tão bem colocado, tão envolvente. E eu tenho certeza que não só o pioneirismo no Brasil, não só o pioneirismo nas Américas, mas esse é um projeto pioneiro no Mundo. E que eu gostaria muito que o Google levasse como exemplo o que está acontecendo aqui hoje, o conceito dos multiplicadores, o conceito do envolvimento com a comunidade, o conceito de se poder utilizar a tecnologia para trazer sustentabilidade que nós pudéssemos, Governador, a partir dessa experiência levar junto do Google para outros países do Mundo. Meus parabéns, excelente trabalho.”

Portanto, o principal resultado obtido pelo projeto do Governo de Minas é o desenvolvimento econômico e social dos cidadãos e a conseqüente melhoria na qualidade de vida dos mesmos, por meio da disponibilização das ferramentas, do conhecimento e a metodologia de replicação. Tudo isto de maneira livre, democrática, participativa e interativa.

#provoca – Caderno de Provocações

13/03/2010 § 1 comentário

Estamos no #2010cici – conferência internacional de cidades inovadoras – em Curitiba e também no #cirs – conferência internacional de rede sociais.

O primeiro é  um encontro massivo e verticalizado, com  palestras de peso como Clay Shirky, Steven Johnson e boa parte do BRIC explicando como estão transformando suas cidades através das técnologias e da inteligência coletiva.

O segundo é uma grande reunião aberta, arquitetada pelo Augusto de Franco e seu Escola de Redes, uma rede ning que consegue unir e articular toda uma fauna de pessoas ligadas por um lado ou por outro com essa coisa de ‘rede’.

Descemos de carro na quarta-feira, para pegar a tempo a palestra do Jaime Lerner – excelente urbanista, governador duvidoso – segundo consta – e vinhamos no caminho, a 120km/h pensando sobre o que podiamos fazer em um evento como esse; como deixar uma pegada e aproveitar para problematizar um pouco a questão das cidades da perspectiva de quem não esta em cima do palco, mas tentando atuar junto a (dita) platéia.

O resultado foi uma proposta coletiva, contando desde lá com aliados da Casa de Cultura Digital e do movimento #webcidadania que esta recebendo a corda-toda do divertido Rodrigo Bandeira, do Cidade Democrática. A idéia era montar um caderno impresso, para sair neste sabado de manhã, reunindo as diversas visões (mesmo que as vezes antagonicas, contraditórias ou paradoxais) sobre as cidades em uma lição de casa para que os gestores saissem dali provocados.

Do próprio carro começamos a twittar e articular por telefone a publicação, liguei para o Felipe Meyer – da Gasosa – que se comprometeu em achar uma gráfica em ctba e em editorar o material que ia chegar pra ele via rede. Estabelecemos um deadline apertado, 16hs de sexta-feira. Nas experiências anteriores com o Jornal de Debates, isso provou ser o suficiente.

Público agora esse texto aqui, era para servir de introdução ao caderno impresso, mas infelizmente não conseguimos a gráfica para rodar (a única que achamos deu um prazo que ficou impossível de cumprir). Ainda assim, conseguimos reunir uma série de colaborações legais que vou publicar aqui uma a uma, enquanto não terminamos de editorar o PDF que ai vamos poder imprimir e distribuir em diversas outras ocasiões.

Gostamos tanto da idéia que vamos tentar executa-la de maneira mais regular e mais estruturada. Então se vocês tiverem textos, temas, idéias ou sugestões… fiquem a vontade para comentar aqui ou me procurar no pedro (at) esfera.mobi

Nessa edição colaboraram:

Rodrigo Bandeira – Cidade Democratica

Ricardo Poppi

Ricardo Mendes Jr

Rogério Moreira

glerm

Bianca Santana

Henrique Parra

Where am I?

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