ideias para discussão, ou como os organizadores deste folheto chamaram, provacação para os prefeitos e gestores presentes à CICI2010. Várias frases que aqui coloquei já foram ditas ou escritas por outros no evento, e estão aqui por que concordo com elas. não deu tempo de referenciar todas então coloquei um * depois delas.
Produção e sustentabilidade
Muito se tem falado sobre produzir de forma sustentável. Esta discussão focado em alguns temas importantes, na visão atual, mas talvez menos importantes para uma solução futura definitiva. Produção e sustentabilidade não é só pensar a agricultura, energia, água, impacto ambiental, produção limpa (ou produção mais limpa) reciclagem, ou responsabilidade social. Não é uma (ou apenas uma?) questão de inovações tecnológicas dos processos com foco em sistemas produtivos de melhor custo/benefício em termos industriais, sociais e financeiros. Muito menos permitir ganhos de qualidade e produtividade. Assim como o conceito de sustentabilidade ainda é pouco compreendido e apenas iniciando um consenso, o processo produtivo para um novo mundo ainda é um desconhecido. Há que se mudar o modelo produtivo/capitalista para realmente conciliar as necessidades sociais (primeiras e muito mais relevantes para a humanidade), ambientais (sem a qual não atenderemos as primeiras) e econômicas. A Engenharia de Produção deve buscar a essência do pensamento sistêmico, estudado e falado há mais de vinte anos. Até onde a sustentabilidade dos processos garante a sustentabilidade da sociedade ou do planeta?
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Modo de vida
O nosso modo de vida é incompatível com sustentabilidade*. Neste modo não tem como termos empresas sustentáveis (ver produção e sust. acima), e cidades sustentáveis. Precisamos mudar o conceito de sociedade e cidadão*. Não necessariamente sem o capitalismo, ou com o socialismo, mas uma economia que pense primeiro nas pessoas (economia mais solidária).
Bilhete único da Riocard
Levar mais gente mais longe e mais barato é contra a sustentabilidade. Não é inovação, é investimento + gestão + tecnologia disponível + decisão política + mercado. Mercado = demanda + oferta, que as empresas (capitalistas) sabem fazer bem. É o papel da IBM aqui.
Home-office
1/3 da mobilidade é casa-trabalho-casa (Jordi Borja). Eu acho que é mais. Ele afirma que o home-office é a solução para a mobilidade. Penso que o home-office hoje é periférico – algumas empresas, alguns tipos de trabalho, algumas pessoas. O futuro é o uso extensivo e generalizado das TIC para o trabalho remoto. O potencial da internet nem começou a ser aproveitado para isto, menos nos mercados em que há benefícios nos lucros (financeiro, p. ex.), e estes servem de exemplos. O uso da TIC tem que ser expandido para grupos de trabalhadores, sedes de empresas, condomínio de trabalhadores (tipo escritórios virtuais), etc. para termos escala e, aí sim, ganhos para a mobilidade. Eu poderei trabalhar em casa ou ir de bicicleta para o trabalho, que ficará a menos de 5 km de casa, e ir à sede da empresa apenas uma vez por semana.
Erros nas mega-cidades
Jonas Rabinovitch colocou que as cidades medias nao deveriam repetir os erros das mega-cidades. Hoje, e vimos neste evento, se fala muito mais das soluções que as grandes cidades estão trabalhando para corrigir os seus erros. Nas cidades medias as soluções devem outras – inovadoras, e vimos pouco disso por aqui.
Discordo apenas quando ele disse que o crescimento maior nas cidades médias é pelos nascimentos. Sabemos que as taxas de crescimento da população mundial estão diminuindo, inclusive alguns afirmam que a pop mundial vai parar de crescer daqui a algumas décadas. Então como é, nas cidades médias ainda há mais nascimentos do que nas grandes (proporcionamente)? Não creio.
Penso que o futuro é levar as inovações para as cidades pequenas e fazê-las crescer, suportado pelas TIC e pelos serviços básicos: saúde, educação, cultura, meio-ambiente, lazer, turismo, etc. Estes devem ser os objetivos maiores da sociedade do futuro. E não o consumo em excesso ou lucro a qq custo.
Importancia na capacitacao, transparencia, participacao, gestão da informacao
Também Jonas R., concluiu sua palestra com esta colocação. É por aqui que todos os governos devem começar. Vimos muitas iniciativas aqui. Mas isso é um passo primeiro e necessário, não é inovação. Pode ser inovação gerencial e pública, apenas, por que precisamos mudar os modelos de gestão e visão públicas, usando a tecnologia. Principalmente para a gestão da informação.
Curitiba
O modelo de vias estruturais já está esgotado. Avenidas como a Mal. Floriano são sub-utilizadas, podem ter mais trafego se reprojetadas; as vias rápidas estão congestiondadas; as regiões proximas aos terminais (que poderia priorizar as pessoas e o comércio) estão se ficando acumuladas de carros o dia todo. O fluxo de carros poderia ser canalizado nesta avenida (mantendo a canaleta, retirando estacionamentos e a longo prazo o comércio) e as ruas laterais priorizarem as pessoas, as bicicletas, o comércio, o lazer e o esporte. Principalmente a nova via no sentido centro-bairro, esta virou pista de corrida (principalmente nos horarios de pouco fluxo), sendo que ainda há muitas casas e predios de moradia ali – ela começa numa regiao muito bonita e arborizada (no HSBC). Ali poderia ter sido feito o que se fez com a Linha Verde (que nunca foi usada por pessoas, somente carros, e vai demorar 1 década ou mais para mudar este perfil), com benefício mais imediatos e sem tirar as pessoas da região onde moram. Isso seria inovação.
Se Curitiba inova diminuindo calçada para mais tráfego de carro e esquece ciclovia, não inova*.
cidades comuns (como Curitiba): revitalizam parques, praças e ruas porque não tem dinheiro para manutenção sistemática. E as revitalizações ganham ares de ultra-projetos. Enquanto isso o Parque do Iguaçu cada vez mais abandonado, mas o Barigui não.
Por que dirigir a mais de 50Km/h nas vias urbanas?
prá refletir, tem alguma lógica? http://ricardomendesjr.posterous.com/porque-dirigir-a-mais-de-50kmh-na-cidade
Um uso da identificação eletrônica nos carros (futura), mais a tecnologia de telemetria que já temos, e mais o comando eletrônico dos motores, podemos limitar a velocidade dos carros nas vias urbanas por software.
IPVA, IPTU e imposto municipal para os carros
Pagar 2,5% de IPVA para o estado e 0,25% de IPTU para o município, sendo que temos 1,5 pessoas por carro na cidade, é um absurdo. Temos que criar um imposto municipal para os carros para pagar os que estes nos custam na infraestrutura da cidade. E transferir o IPVA para os municípios (mantendo informações em datacenter integrado).
Desconto no imposto para quem compartilharem o carro, dando carona para outro motorista ou compartilhando o mesmo carro ao longo do dia (pode marido e esposa).
Direito de morar
Jean Daclin acha que não podemos impor (ou dizer) onde as pessoas devem morar ou trabalhar. Concordo em termos. Este direito já não pode ser tão livre como foi até hoje. Como aceitar novos moradores numa cidade que sabemos que não os comporta mais? A cidade deve criar um Alvará de Moradia para as pessoas que pra lá vão se mudar, provisório ou permanente. E se esta pessoa não nasceu na cidade (família sempre pagou imposto em outra cidade), deve haver um imposto específico.
Direito de onde trabalhar
O uso da infomação de moradia das pessoas e postos de trabalho pode indicar onde as pessoas podem trabalhar sem precisar se deslocar distâncias grandes (Geografia espacial). É possível, mas estamos longe disso. Muitos conceitos precisam ser mudados.
Ricardo Mendes Junior
Professor de Engenharia de Produção da UFPR
ricardomendesjr (em) gmail.com

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