Num processo paralelo ao da criação e do trabalho com a Esfera (paralelo, mas muito influenciado pelos projetos realizados por aqui), desenvolvi uma pesquisa acadêmica, orientada pelo Prof. Sérgio Amadeu, sobre transparência pública e as possibilidades de transformação desse conceito por causa das tecnologias e da rede.

A pesquisa tomou a estratégia de abordar três fatores que podem ser decisivos para a transformação das ideias e práticas relacionadas à transparência. Ela trata das condições sociais (se apoiando no conceito da esfera pública interconectada, mediada pela rede, que é diferente da esfera pública mediada pelos grandes veículos de comunicação), das condições legais (já que a constituição brasileira reflete o princípio da publicidade dos atos do poder, embasando assim práticas de transparência que sejam amplas e efetivas) e das condições tecnológicas (não pela simples novidade técnica, mas sim pelo fato destas possibilitarem novas práticas sociais, orientadas para a colaboração e para a participação) que vão impactar na transparência pública e na forma como ela é compreendida e trabalhada tanto por governos, quanto pela sociedade.

Um dos objetivos dessa empreitada era sistematizar alguns conceitos, processos e resultados dispersos pela rede afora, mas que já podem servir de “primeiro passo” pra quem quiser pesquisar e fazer novas reflexões sobre o tema – ou então para quem quiser começar a trabalhar com transparência de uma forma que considere esse potencial de transformação, sendo como parte do poder público ou como cidadão engajado no processo.

Então, aí está a dissertação. Quem quiser debater o tema, pode usar o espaço aqui do blog :)

Transparência na Esfera Pública Interconectada

2 comentários


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Olá,

meus parabéns a Daniela pela título e pelo trabalho! Já baixei minha versão e pretendo ler assim que puder.

Mas gostaria de deixar indicado alguns comentários sobre o uso da restrição não comercial usada na dissertação:

http://culturadigital.br/blog/2009/08/26/rede-culturadigital-br-baseia-se-em-informacao-livre/#comment-443

Até o momento ninguém respondeu no tópico acima…

09/04/2010 17:44

Oi, Tom!

Primeiro, eu acho que você tem razão! Tem várias coisas da Esfera (veja aí embaixo no blog) licenciadas como By-Sa apenas, mas no caso da dissertação eu tinha de fato feito uma opção diferente. Fiquei esbravejando aqui com o Pedro, discordando de vocês por alguns minutos, mas vamos dizer que o argumento da “condição de uso X restrição de uso” me venceu completamente.

Não faz sentido que justamente essa pesquisa, sobre transparência, saia com uma restrição de uso na capa. Então, vou mudar a licença já ;)

Mas só pra dar meus pitacos (e colocar um pouco de lenha na fogueira): já ouvi algumas vezes a conversa de que “conteúdo livre tem que ser só By”, etc. Eu acho que a coisa fantástica do Creative Commons é que os módulos permitem que qualquer um se reconheça como autor e decida como quer que seu conhecimento seja compartilhado. Nesse sentido, sempre penso que o CC protege muito mais o autor que o copyright! Porque ele ganha o direito de decidir de verdade o que ele quer fazer da sua criação! Então, acho essa militância pelo “só by” um tanto descabida. Mas parece que comigo deu certo, então vou tentar repensar a questão :P

09/04/2010 18:07

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