Na última segunda-feira, 5, o ministro Aloizio Mercadante compareceu à Casa da Cultura Digital para apresentar a nova plataforma Aquarius de transparência pública, que irá disponibilizar em dados abertos, inicialmente, informações da gestão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para a sociedade. “Queremos que a plataforma possa ser replicada em outros ministérios, instituições públicas e, até mesmo, para outros países”, explica Mercadante.

A abertura destas informações numa estrutura replicável é importante para empoderar o cidadão de participação política, uma vez que novas aplicações podem nascer a partir destes dados como o cruzamento de indicadores e fatores diferentes gerando resultados não previstos anteriormente pelo governo.

Paulo Henrique Santana, responsável por criar a plataforma Lattes em 1998 e, atualmente, responsável pela Aquarius, acredita que é de suma importância que a criação do software seja acompanhada por hackers, visto que estes podem elaborar melhores formas de visualização para a monitoração de gastos públicos e outras informações. Esta ideia inicial foi debatida também por Daniela Silva, fundadora da comunidade Transparência Hacker, que acredita que a melhor forma de desenvolver a plataforma seja disponibilizando esta antes mesmo de sua versão final.

Outra questão debatida foi a linguagem a ser utilizada pela plataforma. O MCTI apresentou que a tecnologia utilizada no desenvolvimento da plataforma é a linguagem de programação Java. A comunidade Hacker sugeriu a adoção da linguagem Python por estar mais próxima dos princípios de Dados Abertos, inclusive com experiências concretas em outros países. O Ministério se mostrou interessado em migrar a plataforma, mas não no momento atual pois estão priorizando a publicação da plataforma.

Sérgio Amadeu, cientista da informação, sugeriu que a plataforma também disponibilizasse um repositório público de aplicativos, isto é, um canal onde os desenvolvedores possam publicar o que tiverem construído usando os dados abertos do Aquarius para a sociedade. Sérgio ressaltou iniciativas de outras comunidades de software livre, como o Mozilla Firefox, que possuem canais similares e acabam servindo de incentivo para os desenvolvedores dando maior visibilidade a seus esforços.

Ainda que não tenha sido informada uma data de lançamento para a plataforma Aquarius durante este encontro, a reunião encerrou em um sentimento de partida para a ação. O Ministério até mesmo pediu aos participante que informassem que tipo de dados gostariam que fossem abertos, ao que o ministério respondeu que mesmo diante das dificuldades administrativas possuem interesse em fornecer estes dados.

2 comentários


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Sensacional !

É como a iniciativa data.gov americana.

Mas a americana falha no formato dos dados publicados. Eles fazem em PDF, planilhas e outros formatos não estruturados. O que faz os dados serem praticamente inúteis ou muito difíceis de se trabalhar.

A iniciativa brasileira poderia ir além e prover dados em formatos estruturados como SQLite ou simples dumps SQL dos DBs dos sistemas públicos.

De qualquer forma, esta iniciativa será de muito valor para a sociedade a partir do momento em que se unifiquem dados públicos de diversas fontes e se tire insights disso. Práticas comuns em projetos de Business Intelligence e Business Analytics.

18/10/2011 11:35

Concordo plenamente com o Avi.
Enfase deve ser no formato dos dados.

Esta discussao se deve ser java ou python e uma bobagem.

Importante e que os dados sejam acessiveis. Ideal e que o projeto providencie uma interface para outros sistemas fazem esta pesquisa. Pode ser via webservice, REST ou ate compartilhamento do dump do banco.
Assim os desenvolvedores do Aquarius pode ser focar na extracao e organizacao da informacao que e a grande dificuldade.
Na parte tecnica acho interessante um banco de dados orientado a documentos (mongodb por exemplo) pela facilidade de armazenar dados nao estruturados.
Assim a criacao, manutencao e disponibilizacao deste banco ficaria a responsabilidade do pessoal do Aquarius.
Existindo esta informacao publica cada um pode montar as buscas que achar melhor. Por exemplo usando o lucene pode se montar uma busca geral. Usando ferramentas de Business Intelligence e Business Analytics pode ser fazer o cruzamento das informacoes.

22/11/2011 10:33

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