O Centro Europeu de Jornalismo e a Open Knowledge Foundation organizaram o EuroHack, parte da programação satélite do Open Government Data Camp. O evento teve workshops de Jornalismo de Base Dados, e uma apresentação da ferramenta ScraperWiki – que serve para coletar informações de sites e transformá-las em dados abertos, com formato estruturado e legível por máquina. Os workshops seguidos de uma competição entre times com o tema: “o que você faria com dados da União Europeia se você tivesse um time de dados abertos a sua disposição por um dia?”

A Transparência Hacker participou do EuroHack integrando um desses times, e colaborando a implementação de uma ideia da Dra. Farida Vis, da Universidade de Leicester, na Inglaterra. Farida é pesquisadora de comunicação e, além disso, há 11 anos produz seus próprios alimentos em um “allotment”. Allotments são como hortas comunitárias – lotes de terra pertencentes ao poder público, que podem ser utilizados por vários cidadãos autorizados para a produção de alimentos. É aí que começa nosso projeto.

O problema:
A questão dos allotments é complexa. As terras deveriam ser distribuídas pelos diversos conselhos locais (que são organismos da administração pública na Inglaterra). Apesar da obrigação governamental de garantir terras para cidadãos interessados em produzir alimentos nesses espaços, a procura cresceu nos últimos anos, de forma que a fila de espera por um allotment em algumas regiões chega a 100 anos – o que basicamente significa que, para algumas pessoas, é impossível conseguir um espaço ao longo da sua vida.

Existem diversas justificativas para esses problemas: falta de recursos, complexidade burocrática, vontade política reduzida. Além disso, é difícil entender as filas de espera e os regulamentos dessa política, que são diferentes para cada conselho – a obscuridade das regras de distribuição não ajuda no impasse. Para complicar ainda mais, está em discussão um projeto de lei que tiraria dos conselhos a obrigação de distribuir terras para cultivo nesse modelo. Isso permitiria que essas terras fossem vendidas, gerando bastante renda para o poder público, mas prejudicando muito a agricultura urbana na Inglaterra.

Farida acredita que dar mais transparência aos conselhos, suas regras, os lotes de terra disponíveis ou que devem ser disponibilizados, suas localidades e principalmente as posições dos interessados fila de espera – um sistema online para acompanhar posicionamentos na fila, por exemplo – é uma ação que pode ajudar a resolver entraves que se colocaram entre governo e sociedade por conta dessa questão. Ainda além: ela acha que seria possível publicizar melhor a proposta dos allotments, de forma que outros proprietários (pessoas, empresas, organizações que têm pequenos terrenos cultiváveis) também cedessem terras para cultivo, dividindo responsabilidades e colaborando para resolver as filas.

Os dados:
Para o EuroHack, tínhamos acesso a várias fontes de dados diferentes com informações sobre os allotments.

Farida e Yana, sua orientanda na universidade, têm diversos documentos relacionados aos allotments, conseguidos por meio de requisições baseadas no Ato de Acesso à Informação Pública inglês – cujos pedidos hoje são processados por uma ferramenta online chamada What Do They Know (Do que Eles Sabem), desenvolvida por uma organização ativista pelos dados abertos, a My Society. Os documentos vêm de diversos conselhos locais e agregam informações como as características e regras acordadas nos contrato com os contemplados, os valor da taxa simbólica do aluguel do allotment  (em uma série histórica de 2005 a 2013, prevendo mudanças futuras, se houverem), o valor da taxa de água (quando aplicável), se há descontos para determinados grupos (pessoas com deficiência, por exemplo), e os gastos dos conselhos com a coleta de lixo dos allotments.

Uma organização chamada Transition Town West Kirby também conseguiu informações por meio do Ato de Acesso à Informção Pública: quantos allotments e quantas vagas existem em cada conselho; e quantas pessoas, no total, estão nas listas de espera de cada um dos conselhos.

Observação importante: Apesar dessas informações terem sido disponibilizadas, elas foram enviadas pelos conselhos em diferentes formatos – documentos de texto, PDFs, tabelas. O trabalho (exaustivo) de normalizar esses dados em uma planilha aberta foi realizado previamente por Farida e Yana, e levou semanas para ficar pronto – um caso que serve pra exemplificar a necessidade de especificar os formatos na hora de fazer um pedido de informação quando necessário, bem como dessa especificação ser seguida pelo poder público.

Há algumas bases de dados relacionadas aos allotments no Data.Gov.Uk. Apenas o Conselho de Tratford têm a lista de allotments e de vagas disponibilizada em formato aberto no catálogo.

Também existem diversos allotments mapeados no Open Street Maps. Na ferramenta livre de mapeamento, há uma tag chamada “landuse” (ou “uso da terra”), que categoriza os usos possíveis dos terrenos mapeados, entre eles a produção de alimentos nesse modelo. Os dados do OSM podem ser complementados ou exportados em dados abertos para serem usados em outras plataformas.

Além disso, diversos sites dos conselhos locais ou de organizações-não governamentais, como a Feeding Manchester, com listagens dos allotments disponíveis, dos números de vagas e das listas de espera – informações que, progressivamente, durante o EuroHack e posteriormente, serão raspadas e transformadas em dados abertos por meio do ScraperWiki.

A solução:
Nossa estratégia – em implementação durante os próximos dias de OGDCamp – é cruzar essas diferentes bases de dados, importando-as para uma ferramenta aberta de mapeamento (como o próprio OpenStreetMaps ou o TileMill) –, e tornando assim mais fácil a visualização e a comparação desses diferentes dados.

Começamos a usar o ScraperWiki para raspar as listagens vindas de diferentes sites de conselhos. Testamos a possibilidade de extrair uma base de dados mais completa, criada pelos usuários do OpenStreetMaps, e já chegamos a importar alguns dados pro TileMill.

MAP ALLOTMENTS / WAITING LIST
MANAGE COMMUNITY ALLOTMENT SITES – HOW TO CREATE YOUR OWN ALLOTMENT!
SECURITY, LINE

1 comentário


Quer comentar?

Comments RSS and TrackBack Identifier URI ?


Comente!