Estamos ansiosos para o Festival Internacional CulturaDigital.Br – que acontece dias 02 a 04 de dezembro no MAM-RJ, e será o espaço do 1o Encontro da Transparência Hacker e da primeira viagem do Ônibus Hacker.

Começando bem, participamos do projeto Mosaicos, ciclo organizado pelo SESC-RJ para aquecer as discussões para o Festival, com debates e workshops em vários bairros do Rio de Janeiro.

Nosso tema foi Política hacker: transformando a política na rede, que levamos para o Sesc Madureira com o objetivo provocar os participantes a refletirem sobre cidadania e participação política em tempos de cultura digital. Tentamos então criar um workshop que apresentasse as ideias que costumamos discutir na lista da Transparência Hacker, em palestras e eventos, mas que funcionasse de forma altamente participativa, e fosse quase totalmente dirigido pelos participantes – mesmo que eles ainda não tivessem nenhuma proximidade com o assunto. Assim a gente conseguiria abordar colaboração, horizontalidade e autonomia no conceito e na prática ;)

O público, como costuma acontecer no Sesc, foi bastante diversificado. Além de alguns interessados pelo tema da oficina (entre eles um membro da Transparência Hacker e um senhor que milita no Partido dos Aposentados da Nação), contamos com a presença de uma turma de estudantes do curso de formação de professores em uma escola próxima, e de algumas crianças que saíram do futebol e resolveram participar da nossa discussão :)

O primeiro exercício que propusemos às quase 30 pessoas que participaram do workshop é uma dinâmica que aprendemos coordenando o Mozilla Drumbeat, o espectrograma. Começamos com ele porque seu formato ajuda os participantes a pegarem o clima do que estamos propondo (todo mundo fica de pé, todo mundo se posiciona, e quase todo mundo fala). A dinâmica funcionou assim: apresentamos 3 afirmações, das quais os participantes deveriam concordar ou discordar, se posicionando numa linha que vai do “sim” ao “não”, formando um espectro. As 3 afirmações eram:

  • A responsabilidade sobre os problemas da minha cidade é do prefeito.
  • Eu sou responsável pelas ações do meu candidato.
  • Eu sei o que é um hacker.

Depois do espectograma, rolou uma rodada de apresentações, quando cada participante, além de se apresentar, escreveu num post-it uma resposta para a seguinte pergunta:

  • O que você acha que falta para a política brasileira melhorar?

A primeira saída desse exercício era propor que os participantes encontrassem pessoas com necessidades antagônicas às suas, para conversarem a respeito de suas respostas. O que não foi muito fácil, porque as várias respostas tinham bastante coisa em comum. Depois disso, os participantes foram convidados a, juntos, agregarem seus post-its parecidos em grandes grupos, na parede da sala da oficina. Acabamos agrupando as necessidades listadas pelos participantes em 3 diferentes temas:

  • Melhorar a educação – o maior grupo (influenciado pela grande quantidade de educadoras na sala), com respostas que tinham a ver com melhorar o ensino, melhorar o salário dos professores, melhorar a educação no Brasil como um todo e gerar mais educação política para os cidadãos.
  • Melhorar os políticos – o segundo grupo de necessidades, que falava do comportamento dos políticos brasileiros, da necessidade de mais comprometimento, de menos corrupção e de mais honestidade por conta de quem está no poder público.
  • Modificar o sistema político – no menor grupo ficaram as respostas que falavam sobre características do próprio funcionamento da política, como haver mais transparência pública, menos acomodação dos cidadãos e mais autonomia.

O próximo exercício era uma divisão em quatro pequenos grupos menores que foram convidados a pensar 3 propostas concretas para tornar aquilo que imaginam ser importante para transformar a política em realidade. A dificuldade nessa parte é fugir da reclamação – não é mais hora de refletir sobre os problemas, mas sim de propor ideias e soluções.

Tínhamos então nas mãos 12 propostas dos 4 grupos (6 para melhorar a educação, 3 para melhorar os políticos e 3 para melhorarem o sistema) para transformar a política do Brasil. Então, numa roda de conversas aberta, fomos colocando cada uma das propostas num diagrama de venn: de um lado, as pessoas; de outro, os governos, com uma área de intesecção entre os dois círculos.

A conclusão dos participantes foi que grande parte das propostas – que eles mesmos pensaram, em relação a necessidades da política que eles identificam no seu dia-a-dia – mora na esfera das pessoas, ou das pessoas e dos governos em conjunto. Mesmos para as ações que cabiam aos governos haviam comentários como “nós temos que propor” ou “devemos pressionar”. Reflexões interessantes de empoderamento e autonomia, que saíram do esforço coletivo de um grupo de pessoas que não se conheciam, sendo que algumas delas estavam sendo convidadas a repensar o processo da política pela primeira vez :)

Foi a primeira vez que a Esfera facilitou esse workshop com um grupo heterogênio, que chegou por um convite aberto. Curtimos muito e tomamos notas para aprimorar os próximos. Ideias?

Se quiser ver mais do que rolou no Mosaicos, assista ao video abaixo, do streaming feito pelo pessoal do Buraco Cavernoso.

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