Como disse no post anterior, o primeiro dia do THackday foi só aquecimento. A nossa base, no Salão Nobre II, começou bem tímida, mas ao longo do dia expandimos o espaço e as pessoas trabalhando nos vários projetos que discutimos nos últimos dias no Google Groups, e em outras coisas que caíram nas nossas mãos logo que chegamos em Brasília. Isso, é claro, sem contar as pirações que acabam surgindo meio que do nada nas conversas de corredor. Aqui vai um relato do que aconteceu no primeiro dia do THackday.

Há mais ou menos 15 membros da comuniade transitando por aqui, além de outras pessoas que chegam para conversar sobre transparência e dados abertos. Durante as semanas que antecederam o CONSEGI, vi quase uma dezena de notícias falando sobre o THackday que aconteceria no evento como uma atividade paralela. Pra nossa surpresa, e pra felicidade do Markun, temos até um poster enorme com o nome “THackday”. Cool, uh?

Eu especificamente tenho trabalhado na captação de vídeo para o Documentário THacker, uma idéia que surgiu na lista de discussão quando soubemos da caravana de ônibus. Filmamos todo o trajeto e temos capturado algumas imagens ao longo dos dias. Depois vamos jogar esse conteúdo de alguma forma online e trabalhar numa edição colaborativa. Tomara que dê certo, mas de uma forma ou de outra já temos pelo menos algum registro do que tem acontecido no CONSEGI. Se quiserem ver algumas fotos, visitem meu Flickr.

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Como uma andorinha só não faz verão, há obviamente uma dezena de outros projetos e atividades sendo desenvolvidas simultaneamente. Nosso quadro de projetos ilustra algumas das ideias nas quais estamos trabalhando:

1. Portal de Transparência: a ideia aqui é criar um modelo de portal de transparência para pequenos municípios. Usaremos dados do TCE-SP e TCM-CE como primeiro case, e assim criar um software disponível para ser usado por qualquer gestor ou prefeito das cidades do país de forma prática e usando software livre.
2. Mapeamento do Processo Legislativo: afinal, a gente precisa entender como funciona o processo legislativo, aproveitando que estamos em Brasília.
3. Jogo da vida do Processo Legislativo: com base no mapeamento acima, o Pedro Markun está liderando um exemplar virtual do jogo da vida do processo legislativo.
4. GITLaw: com base nos repositórios de código de software, a ideia aqui é fazer um sistema semelhante ao Gitorious ou GitHUB, mas com as leis brasileiras.
5. Mapa da Segurança Pública do Rio Grande do Sul: Visualização dos dados da SSP do RS, que tem informações temporais das ocorrencias criminais em quase todos os municípios do estado do Rio Grande do Sul. A idéia é vrificar as regiões do estado que têm maior índice de certos tipos de ocorrência criminais.
6. 150GB de Processo Legislativo: ainda sem nome, a ideia aqui é usar um banco de dados do Ministério da Justiça de 150gb que tem todo o histórico de Projetos de Lei que hoje são leis. O arquivo data do meado do século passado, e contem cada notícia, cada relatório sobre cada projeto de lei que se sucedeu bem nesse país.

Além disso temos algumas ideias soltas, hacks e desconferências:

  • O Mapa dos Cartéis Hack com os dados do Compras NET
  • LittleSIS BR
  • Oficina de Scraping com Pedro Belasco
  • Dados da Secretaria da Fazena de SP
  • Cadastramento BR.CKAN.NET
  • Gerador de Pedidos de Informações
  • Desconferência de Processo Legislativo
  • Desconferência sobre Pesquisa Ficha Limpa feita pela ESFERA
  • Desconferência de Sociedade e Dados Abertos

Mas para mim o destaque do primeiro dia foi o desenvolvimento do “Otoridades: Você sabe com quem está falando?”. O projeto, capitaneado pela Daniela Silva e pelo Luciano Santa Brígida é uma plataforma simples em WordPress que vai receber relatos de denúncias de abuso de poder. A idéia é inspirada em algumas discussões anteriores da lista e de um debate que aconteceu durante aMaratona Hacker de Dados Abertos, em dezembro de 2010.

Hoje paro por aqui, até porque senão vou adentrar num relato do que foi (ou melhor, do que está sendo) o segundo dia de atividades do THackday-CONSEGI. No próximo post dou um status update dos projetos, mas, é claro, hora ou outra sai uma atualização dos donos dos projetos na lista de discussão.

Acompanhem!

A Caravana Hacker demorou 18h. Sim, 18h. Saímos da USP, com um ônibus organizado pela POLI, às 20h da segunda-feira, 09 de maio, em direção à Brasília. Após cinco paradas, paisagens bonitas, 3G que funcionava ora sim, ora não (precisamos banda-largar esse Brasil!), chegamos ao Distrito Federal. Ficamos perdidos em busca do local do evento em um lugar que se chama Candangolândia. Mas após alguns cruzamentos com GPS e Google Maps achamos o caminho.

Durante os próximos três dias, membros da comunidade Transparência Hacker vão participar do CONSEGI (IV Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico), que este ano falará sobre dados abertos, o tema principal do movimento. Durante toda a programação do evento acontecerá um THackday: trabalharemos em alguns projetos que surgiram como ideias nas últimas semanas na lista de discussão da comunidade e em mini-projetos que caíram nas nossas mãos assim que chegamos.

Chegamos em Brasília um dia antes do evento, e aproveitamos para fazer uma visita ao Planalto. Começamos pela Câmara dos Deputados, passamos pelo Senado, voltamos para uma reunião na Câmara com a equipe do e-Democracia e terminamos o dia no Ministério da Justiça, na Secretaria de Assuntos Legislativos, recebidos pelo Chefe de Gabinete Guilherme Almeida.

Enquanto na Câmara dos Deputados predominava o debate sobre o novo Código Florestal – o que atrapalhou a visita dos hackers a todos os espaços do Congresso por conta da forte segurança naquele momento (havia aparentemente manifestações de grupos ambientalistas na região das casas) – no Senado, o presidente da casa, José Sarney, recebia a visita de várias candidatas à Miss Brasil 2011. Foi nesse cenário que fomos recebidos pela Alessandra Müller, do e-Democracia, para um tour pelo Congresso.

Para os dias do evento temos planejadas algumas ações, alguns projetos e desconferências. A programação do CONSEGI pode ser encontrada aqui, e tanto o auditório principal quanto as salas de oficinas têm transmissão ao vivo na Internet. Hoje foi dia de assentamento na sala de desconferência e preparação para o que virá nas próximas 72h, mas um relato do que aconteceu no primeiro dia do evento só ficará completo depois que terminarmos de hackear algumas coisas, e pelo visto a galera vai ficar aqui até altas horas.

Fotos no meu Flickr.

Nossa última Tech Talk foi um bate-papo muito gostoso! O clima de descontração fez com que as ideias e dúvidas dos mais diferentes tipos pudessem ser expressados livremente, fomentando a criatividade e o raciocínio uns dos outros.

Estavam presentes representantes de organizações como Teatro Taib, SP Cultural, Alavanca Social e Tech Soup, bem como indivíduos criativos em busca de financiamento para suas ideias. Começamos falando sobre a colaboração na internet, que vai desde a troca de informações, vídeos, ideias, conselhos. Por que não desenvolver uma colaboração com dinheiro?

O crowdfunding é isso: uma “vaquinha” online. O Catarse, em especial, organiza esse financiamento colaborativo para projetos criativos, ligados à cultura ou jornalismo. Para manter a afinidade com o escopo do site, há uma curadoria que analisa as propostas enviadas antes de aprovar sua publicação. Esse filtro também serve para minimizar o risco do projeto conseguir o investimento, mas não se realizar ao final.

Planejamentos bem elaborados e o envolvimento do autor com o tema são critérios que ajudam a garantir que a ideia será posta em prática quando atingida a quantia. Há os termos de uso do site, mas o Catarse não é responsável pela concretização das propostas. Quem submete seu projeto deve oferecer algum tipo de retorno, mesmo que seja uma lembrança do projeto. O retorno não pode ser financeiro, participação em sociedade, etc. Mas é o gosto de fazer parte que mais justifica o investimento.

A gestão de dinheiro investido e redirecionado é feita pelo Moip, um sistema de pagamento online. O Catarse fica com 5% dos projetos bem sucedidos, de modo que acaba participando dos riscos. É possível ainda receber mais do que foi registrado como quantia necessária. A média do que é solicitado para as propostas está entre 5 e 10 mil reais. O máximo já pedido foi 40 mil reiais e o máximo conseguido foi 26 mil. E além disso, não há uma obrigatoriedade de licença de uso dos projetos concretizados.

Dicas para uma proposta bem sucedida:

− Planejamentos bem elaborados e o envolvimento do autor com o tema são critérios que ajudam a garantir que a ideia será posta em prática quando atingida a quantia.

− Menos opções de recompensas facilitam a escolha do investidor

− Vídeos ajudam muito a cativar o apoio.

− Começar a divulgar nas próprias redes para conseguir uma boa quantia inicial com seus familiares e amigos ajuda muito.

− Quando só falta um pouquinho, é mais fácil conseguir apoio de desconhecidos (as pessoas gostam de participar do resultado e não dos riscos).

− Prazos mais curtos geram sentimento de urgência, diminuindo a postergação e aumentando o apoio.

Na terça-feira, dia 26 de abril, participamos de um encontro sobre Dados Abertos promovido pelo W3C Brasil. O evento aconteceu no Comitê Gestor da Internet, e reuniu membros da sociedade civil, da academia e gestores do governo.

O foco da discussão era avaliar o papel da sociedade em todos os aspectos da abertura de dados, desde a pressão política envolvida no passo inicial, a capacitação técnica e a apropriação dos dados abertos e seu uso revertido para o bem-estar social. A proposta de se criar um roteiro/metodologia para organizações da sociedade civil solicitarem informações públicas do governo foi um dos temas discutidos, e foco do debate geral. No último ano, a sociedade avançou consideravelmente mais do que o governo nesse campo.

Ainda assim, qual deve ser o papel do cidadão em todo o processo que abrange a abertura de dados? Isso tem a ver com o entendimento de papéis e atribuições bastante definidas e que devem ser compreendidas tanto pelo governo quanto pelo indivíduo “consumidor” dos dados públicos.

As maiores dificuldades em relação a abertura de dados no Brasil permanecem sendo a capacitação técnica dos envolvidos, visto que é preciso um conhecimento específico dos setores de tecnologia dentro do governo, àqueles que trabalham diretamente no viés tecnológico da abertura de dados, e os interesses políticos envolvidos no processo. Em um guia/roteiro sobre dados abertos para a sociedade civil é preciso deixar claro quais os dados a serem solicitados, como que a organização enxerga e qualifica os dados necessários, e como devem elas agirem no processo de pressão política para convencer seus representantes.

Ademais, talvez a maior dificuldade que encontramos atualmente em dados abertos seja convencer outras organizações e movimentos da urgência dessa pauta. As discussões sobre o tema ainda são muito restritas a um grupo pequeno de especialistas e ativistas que entendem o assunto com maior especificidade de detalhes. Exatamente por isso precisamos envolver mais os movimentos sociais, movimentos sindicais e outras organizações cujo trabalho seja conhecimento abertamente na sociedade, levando os dados abertos para um público maior.

Para superar essas e outras dificuldades, é preciso que cada player nesse contexto entenda seu papel. O governo é responsável pela abertura dos dados. A sociedade é responsável pela utilização desses dados. E entre ambos deve haver uma conversa, pois, embora haja avanços em transparência e disponibilização de dados da parte do governo (Governo Aberto, Portal da Transparencia da CGU, Portal de Dados Abertos de Alagoas, ePing, COI, etc), as iniciativas da sociedade continuam surgindo e liderando a discussão de dados abertos no Brasil.

Bom, o que se sabe é que os dados abertos são limitados apenas pela criatividade. Na medida em que são disponibilizados, são definidos quais os dados necessários e a demanda real da sociedade. Em breve discutiremos com mais detalhe qual o passo-a-passo que as organizações da sociedade civil devem seguir com o intuito de demandar dados que realmente são importantes para seu trabalho e de interesse público e geral, bem como definir o seu papel em longo prazo no contexto da abertura de dados.

PS.: Nos próximos dias postarei aqui a relatoria qualificada do grupo de trabalho feita pela Manuella Ribeiro, da FGV, que também esteve presente no encontro.

No dia 28 de abril acontecerá mais uma Tech Talk na Casa de Cultura Digital. As Tech Talks são uma série de diálogos que têm por objetivo apresentar ferramentas da web que fomentem a participação pública para mudança política, engajamento cívico e ação social. Nesse dia, o foco da discussão será o crowdfunding, termo que define o financiamento coletivo de ideias e projetos através da Internet.

Casa da Cultura Digital
Rua Vitorino Carmilo, 459
28 de abril de 2011, às 19h

Veja no mapa.

Não tem inscrição, é só aparecer =)

crowdfunding ou financiamento coletivo é a obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo através da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em geral pessoas físicas interessadas na iniciativa. O termo é muitas vezes usado para descrever especificamente ações na Internet com o objetivo de arrecadar dinheiro para artistas, jornalismo cidadão, pequenos negócios e start-ups, campanhas políticas, iniciativas de software livre, filantropia e ajuda a regiões atingidas por desastres, entre outros. Leia mais sobre clicando nesse link.

Na ocasião, vamos conversar com o Catarse (http://catarse.me/), um dos coletivos de financiamento existentes no Brasil. Segundo o próprio Catarse:

A gente está dando o primeiro passo de um movimento que é bem maior. Queremos revolucionar a forma como as pessoas alocam seu dinheiro. Acreditamos que essa alternativa está mais adaptada às recentes mudanças tecnológicas e sociais ao redor do mundo. Acreditamos que esse modelo é mais transparente, descentralizado, e mais orgânico. Aqui, o controle desliza das mãos de intermediários, agentes, investidores profissionais, que decidiam o que deve ser produzido, e passa a ser dos próprios fãs, das pessoas que são apaixonadas por essas ideias malucas e diferentes. Aqui, o público manda.

O que isso significa para ONGs e movimentos sociais?

Um dos grandes problemas enfrentados por organizações pequenas e movimentos sociais no Brasil é a dificuldade de se arrecadar dinheiro para tirar seus projetos do papel. O financiamento traz exatamente uma alternativa para esse problema, e objetiva usar a capilaridade da rede, ou seja, sua distribuição diversificada e decentralizada que abriga indivíduos espalhados em todas as partes do mundo em seu favor.

Contamos com a participação de todos!

Na última quinta feira (31/03), realizamos mais uma Tech Talk, dando continuidade ao objetivo de disseminar o conhecimento de facilidades tecnológicas que podem dar suporte a atividades de mudança política e engajamento cívico.

Nesta edição, exploramos ferramentas recentes para visualização de dados, apresentando diferentes formas de construir imagens e narrativas sobre um conjunto de informações, de forma a deixá-las mais interessantes e elucidativas, com destaque para o Google Fusion (http://tables.googlelabs.com/) e o Many Eyes (http://www-958.ibm.com/software/data/cognos/manyeyes/).

O encontro foi conduzido pelo desenvolvedor independente Maurício Maia e pelo Júlio Boaro, pesquisador da Escola do Futuro da USP. Maia mostrou projetos como a Prestação de Contas da Câmara Municipal de São Paulo (http://cmsp.topical.com.br). Boaro, por sua vez, manteve o foco de sua apresentação nas visualizações criadas pela Escola do Futuro a partir de dados da comunidade Transparência Hacker.

Estavam presentes membros de organizações como o CCJ (Centro de Capacitação da Juventude), MDF (Movimento em Defesa dos Favelados), Instituto Kaplan, Associação Telecentro de Informação e Negócios, Revanche Produções.

Ao final, discutimos novos formatos para a condução das Tech Talks, tal como o envio prévio de um questionamento sobre as necessidades das organizações, de modo a dar maior foco a esses casos no evento, criando um diálogo entre problemas e soluções e levando a um uso socialmente valoroso das ferramentas apresentadas.

Aceitamos sugestões para fazer essa proposta crescer.