Balanço do Primeiro Transparência HackDay

05/10/2009 § 7 comentários

O Transparência HackDay foi um sucesso, graças ao comprometimento dos participantes, que usaram esse fim de semana para discutir e construir aplicativos que vão atribuir transparência, abertura e participação aos processos políticos.

Aqui há uma relação dos projetos (em fase beta) desenvolvidos por essas pessoas, que deram exemplo de colaboração, pró-atividade, capacidade de autogestão e, principalmente, de engajamento e responsabilidade em relação às questões públicas.

>>Projetos

Mapa da EJA
http://esfera.mobi/eja
A ideia é a seguinte: um mapa que demonstra a oferta de Educação de Jovens e Adultos (EJA) nas escolas brasileiras – servindo não apenas como fonte de informação, mas também como forma de conscientização desse direito – e permite também a manifestação da demanda de jovens e adultos que querem estudar, bem como de pessoas que também apoiam essa causa. Mas o conceito dessa ideia aparentemente simples atua sobre um ciclo cruel que precisa ser interrompido – enquanto sobram vagas de EJA nas escolas, o Brasil ainda tem 13 milhões de analfabetos, com uma estimativa ainda pior se forem considerados os analfabetos funcionais – aproximadamente 40 milhões de pessoas. O conhecimento da oferta é essencial para que as pessoas entendam que têm o direito à educação, e para que saibam também quais instituições elas podem frequentar para exercê-lo.
Baseado em uma pesquisa do Inep (Instituto de Pesquisa em Educação) de 2005, o mapa depende da liberação de uma nova base de dados por parte do poder público para atualização da oferta. De qualquer forma, o aplicativo que está no ar nesse momento – ainda em fase beta - traz informações que não estavam mais mais disponíveis na rede (a tabela com os dados de aproximadamente 44.000 escolas que deu origem a esse hack não estava mais disponível online – a equipe que desenvolveu o aplicativo republicou a base de dados completa aqui). Além de informar, o Mapa da Eja ajuda a sensibilizar a sociedade em prol dessa causa.

Tr3e
http://tree.veredas.net

Existe uma grande confusão na hora de divulgar os dados sobre desmatamento no Brasil. O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) trabalha com três metodologias diferentes de medição desse processo, e para saber o que realmente está acontecendo com a Amazônia, é preciso compreendê-las e, muitas vezes, considerar o cruzamento dos dados de todas elas.
O Tr3e é um mashup dos dados públicos – já liberados em formato processável por máquina pelo INPE – com o Google Maps, permitindo a visualização integrada das três metodologias (o que está no ar hoje é apenas a interface, mas o mapa dinâmico estará no ar em breve).
Isso é importante, por exemplo, para tornar possível a fiscalização de como gestores públicos e mídia usam essas informações. É comum encontrar nos jornais manchetes dizendo que o desmatamento aumentou ou diminuiu, sendo que os números comparados não tratam de uma progressão, mas simplesmente se referem a metodologias diferentes. Já entre os governos, o que acontece por vezes é uma ”guerra de dados” – como o próprio governador do Mato Grosso se referiu à informação de que seu estado seria o responsável pela maior área desmatada do país em 2007. Frente a situações como essas, o Tr3e vai servir pra dar mais transparência ao que acontece com as florestas do Brasil.

ParlamentoAberto
http://superalfa.parlamentoaberto.org

A proposta do ParlamentoAberto é a de, por um lado, possibilitar que as pessoas acompanhem com facilidade – por meio de um agregador de RSS, por exemplo – a atuação dos parlamentares na Câmara dos Deputados e no Senado; e por outro lado, fazer votações paralelas dos projetos de lei entre os cidadãos, tornando possível correlacionar as suas visões com a atuação dos seus representantes.
Além de ter contribuído com o #thackday abrindo um espaço na wiki para servir de agregador de informações sobre o evento, o pessoal do ParlamentoAberto veio à Casa de Cultura Digital e trabalhou numa versão “superalfa” do projeto – que já permite a visualização de uma listagem de membros do congresso, com suas participações nas votações e os respectivos votos. Os próximos passos são integrar o RSS e os links para os projetos de lei votados (que infelizmente só estão disponíveis em formato PDF, dificultando o trabalho com essas informações).
O desenvolvimento dessa listagem só foi possível por meio do scraping, ou seja, da raspagem de dados do site da Câmara, já que eles não são liberados em formato processável por máquina. Há organizações que também trabalham com esses mesmos dados, mas por conta dos formatos adotados para sua publicação, sempre que um novo site ou aplicativo vai ser construído, é preciso fazer de novo todo o trabalho de montar a base.
Corrigindo, era preciso, porque essa tecnologia é livre, e fornece o arquivo processável dessa listagem, permitindo que outros projetos também ressignifiquem essas informações.

ABr Crawl
http://github.com/fczuardi/abrcrawl

Essa é uma ferramenta que busca imagens da Agência Brasil e indexa as fotos e as informações relacionadas em um formato mais amigável para o desenvolvimento de aplicativos. Dessa forma, outros desenvolvedores podem utilizá-la pra construir projetos que façam uso dessas imagens.
Por exemplo: o ParlamentoAberto, outro projeto trabalhado durante o HackDay, pode usar o ABr Crawl para fazer com que, toda vez que o perfil de um parlamentar for clicado, a página exiba automaticamente uma linha do tempo com as fotos em que esse parlamentar aparece no banco da Agência Brasil.

API não-oficial do Projeto Excelências, da Transparência Brasil
http://dadospublicos.appspot.com/static/transp.html

O Projeto Excelências, de 2007, é resultado da construção de um banco de dados – públicos, é importante dizer – sobre a atividade dos parlamentares brasileiros. Quem acessa o site pode buscar pelo nome de um político e visualizar diversas informações relevantes sobre ele.
Acontece que, se outro site desejasse buscar automaticamente e retrabalhar informações dentro desse banco de dados – construído, também é importante dizer, por uma ONG a favor da transparência, chamada Transparência Brasil – , isso não era possível, já que a Transparência Brasil não libera os dados em formatos processáveis por máquina.
Mais uma vez, não era possível, porque durante o #thackday foi desenvolvida uma API não-oficial do Projeto Excelências.
Para uma pessoa que acessa esse link e busca o nome de um parlamentar, a diferença está só no fato de que no site oficial é possível encontrar mais informações (o hack ainda captura apenas foto, nome e CPF). Mas para uma máquina, para um aplicativo que vá acessar essas informações automaticamente, a diferença é grande. O código publicado aqui possibilita a busca automática no banco de dados da Transparência Brasil (por meio de uma ferramenta chamada Yahoo! Query Language) e o posterior cruzamento dessas informações com muitas outras – compartilhando de forma efetiva os dados da organização, e atribuindo, assim, verdadeira transparência a elas.

Público Eletrônico
http://www.youtube.com/watch?v=E2JC-L5thpY
Esse projeto é, na verdade, a manifestação de uma demanda. Enquanto trabalhavam para tentar extrair informações da pesquisa que está disponível aqui, os participantes do #thackday que formaram esse grupo perceberam que faltam dados mais claros sobre esse tema. Decidiram começar por um vídeo-manifesto, a ser publicado no site Lixo Eletrônico / Público, que posteriormente vai servir para o georreferenciamento dos dados de lixo eletrônico no Brasil.
Esse projeto serve bem pra mostrar que um “hack político” não tem apenas a ver com desenvolvimento. A ideia é usar todas as ferramentas possíveis – vale vídeo-ativismo, vale blogagem coletiva, vale scraping de bancos de dados, vale fórum de discussão, e o que mais for possível usar para “hackear” os processos políticos e dar mais poder aos cidadãos.

Sistema de e-voting para as eleições da reitoria da USP
http://www.democraciausp.com
As eleições para a reitoria da USP acontecem em 2010. Alunos, professores e funcionários da maior universidade do Brasil tem o direito de votar para escolher os seus gestores, o que acontece presencialmente.
Durante o #thackday, foi desenvolvido um protótipo de voto eletrônico pela internet para essas eleições. A legitimidade do processo fica garantida pela autenticação – o sistema desenvolvido no fim de semana permite que se verifique se um número USP realmente é autêntico, garantindo, por exemplo, que o eleitor identificado por esse número não vote mais de uma vez.
O objetivo desse hack é mostrar que as eleições na universidade podem acontecer de forma mais transparente, contando com a participação da sociedade na sua organização central, e oferencendo uma espécie de ”espelho” comparativo dos resultados, por meio dos votos a serem captados pela rede (atualizado em 19/10 com endereço e link para o site)

>>Banco de ideias
Esses são alguns entre os muitos projetos que foram pensados durante o #thackday, mas que ainda não foram desenvolvidos – quer adotar um deles?

- Aplicativo para monitoramento dos gastos da comissão organizadora das Olimpíadas Rio 2016

- Extração de dados das comparações de preço de combustíveis disponíveis em http://anp.gov.br/precos

- Sistema de avaliação de serviços públicos por meio de SMS

- “Adote um buraco” – no estilo See Click Fix ou Fix My Street

>>Agradecimentos

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